mswindows.org cheap office-professional-plus-2016 key parajumpers sale www.troilus.es anneshealinghands.nl canada goose jas parajumpers outlet

Há fórmula para escrever?

02 de março de 2009 | Cotidiano

ilustra2809

Fico pensando sobre o que as pessoas esperam que eu escreva. Na verdade, não é exatamente sobre o que, mas como. Escrever é um ato diferente de falar, dialogar. As pessoas que conseguem aproximar esses mundos em seus textos, e de fato envolvem os leitores em suas estórias, ganham olhos sempre cheios em direção a suas palavras.

O quanto é prazerosa uma leitura daquelas em que você se vê vivendo cenas, ou percebe que a estória poderia ter sido escrita por suas mãos e memórias? Essa identificação seria o grande “pulo do gato”?

Lendo um post do Bruno Medina, em seu Instante Posterior, dei gargalhada no meio da inusitada saga da camisa pólo branca de listras vermelhas. Não pela estória da camisa em si, mas pelo contexto em que se encontrava o homem-conteúdo daquela peça de roupa. Pelos comentários daquele texto, as pessoas se identificaram com o fato de terem vivido estórias semelhantes. E na verdade, se não houvessem fatos engraçados ligados a sua camisa, o texto teria sido chato.

Podemos citar também outras experiências em que encontramos prazer e “prisão” na leitura, mas que não trata-se da identificação citada anteriormente. Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, faz algo que surpreende e gera curiosidade. Não estou falando de suspense. A história do livro acontece ao contrário – a dedicatória aos vermes que primeiro tocarem as frias carnes de seu cadáver. A história contada do fim pro começo. – Teria este livro sido uma inspiração para o Curioso caso de Benjamim Button? – Na realidade não foi este aspecto o grande detentor de minha atenção ao ler esta obra. O genioso escritor conversa com o leitor durante a estória. Isso mesmo. Ele determina a forma como você lê o livro. Diz pra saltar de um determinado capítulo para o penúltimo e depois faz chacota com sua cara por ter feito isso. Ainda não conheci outro escritor que interferisse tanto na forma como seu leitor faz a leitura, ainda mais, tendo partido dessa pra melhor a tanto tempo. Será que o livro é assombrado?

Apesar de não ter lido nenhuma das edições impressas de Harry Potter ou O senhor do Anéis, não posso negar esse fenômeno. Assisti todos os filmes, porém quem leu e costuma colecionar os exemplares, diz que a sensação é outra. São estórias de tamanha complexidade que instigam a imaginação de uma maneira absurda. O ato de devorar estes livros do início ao fim faz com que a imaginação vá a outras épocas ou dimensões. Fora toda a atmosfera de suspense, aventura e magia que rondam as obras. Comenta-se que batalhas, personagens e cenários são tão ricos e bem escritos que impressionam.

Enfim, do cotidiano, ao assustador, fantástico e imaginário, percebo que escritores muitas vezes não se preocupam com técnica. Simplesmente escrevem. Você vai escrevendo, escrevendo, escrevendo… É uma espécie de treinamento. Um dia você acaba criando sua obra prima e nem sabe disso. Aí alguém chega, lê e te diz : “Aí neste texto tem algo!”. O bom é quando você consegue permanecer com esta coisa (que chamam de técnica) junto aos seus escritos e sua inspiração se renova todos os dias.

Comente